quarta-feira, julho 30, 2008

Carlos Oliveira...uma vez mais.


Ando a revisitar um dos maiores e mais proficúos poetas do século XX.
Hoje inclassificável, do ponto de vista das taxionomias ideológicas que espartilharam artistas, escritores, músicos e homens nos idos de 60.
O que sobra é a beleza do poetar do homem da Gandara, a quem Cardoso Pires e Augusto Abelaira, entre outros, lhe dedicaram admiração, respeito e, sobretudo, muita amizade.
Para partilhar, aqui vos deixo uma:
"LÁGRIMA
A cada hora
o frio
que o sangue leva ao coração
nos gela como o rio
do tempo aos derradeiros glaciares
quando a espuma dos mares
se transformar em pedra.
Ah no deserto
do próprio céu gelado
pudesses tu suster ao menos na descida
uma estrela qualquer
e ao seu calor fundir a neve que bastasse
à lágrima pedida
pela nossa morte.
Carlos Oliveira
Obras
Editorial Caminho"
JA

2 comentários:

António Eduardo Lico disse...

O Carlos Oliveira é um nome incontornável da Poesia Portuguesa, e da Poesia Portuguesa do sé. XX em particular. Trata-se de um poeta que muito admiro.
Embora seja tradicionalmente classificado junto com os neo-realistas (não que isso seja "crime"), creio bem que Carlos Oliveira escapa a um enquandramente estético deste tipo. Carlos Oliveiro foi um Poeta.
Infelizmente a voragem das estéticas enviou-o para o limbo do esquecimento, imerecidamente.
António Lico,

mdsol disse...

Gosto do C.O.
:)